Adaptável: É possível se adaptar à desidratação?

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Novas pesquisas sobre a ingestão de líquidos durante o exercício estão questionando crenças antigas: Em 1942, enquanto a guerra no deserto avançava no norte da África, um grupo de fisiologistas foi enviado ao Deserto de Sonora para conduzir experimentos com soldados. O objetivo era descobrir quanta água eles precisavam, quanto calor conseguiam suportar e, se possível, “treinar homens para viver sem água”. Como o cientista-chefe Edward Adolph relatou mais tarde em seu livro clássico de 1947, Physiology of Man in the Desert, esse último objetivo logo se mostrou inviável: todos mesmo veteranos endurecidos do deserto precisam de água.

Oitenta anos depois, as conclusões de Adolph sobre a impossibilidade de se adaptar à desidratação ainda dominam o pensamento científico. Mas algumas dúvidas começaram a surgir. Em um novo artigo publicado no European Journal of Applied Physiology, Mark Funnell e colegas das universidades de Leicester e Loughborough, no Reino Unido, tentam antecipar os próximos passos da pesquisa sobre desidratação. Uma de suas principais previsões é que homens e mulheres respondem de maneira diferente à desidratação, sendo as mulheres possivelmente mais sensíveis a ela. A outra ideia, mais controversa, é que corredores e outros atletas de endurance talvez consigam se adaptar à desidratação por meio da exposição repetida.

O paradoxo Gebrselassie: Um indício importante de que a adaptação à desidratação pode ser possível vem da aparente contradição entre estudos de laboratório e o desempenho real de corredores. Pesquisas em laboratório sugerem que o rendimento começa a cair assim que se perde cerca de 2% do peso corporal talvez até antes disso. No mundo real, porém, o etíope Haile Gebrselassie chegou a perder impressionantes 10% do peso corporal ao bater um recorde mundial da maratona. Outros estudos com corredores não profissionais também mostraram que os mais rápidos tendem a terminar as provas mais desidratados do que os mais lentos, contrariando a ideia de que a desidratação necessariamente reduz o desempenho.

Uma explicação para essa contradição, defendida sobretudo pelo cientista sul-africano Tim Noakes, é que os estudos estariam medindo a coisa errada. Eles impõem uma forma artificial de desidratação, às vezes usando câmaras de calor ou diuréticos, e impedem os participantes de beber quando sentem vontade, deixando-os com sede e irritados. No mundo real, quando as pessoas podem beber conforme a sede, ainda assim acabam se desidratando em mais de 2%, mas sem prejuízo no desempenho.

Outra explicação possível é que os participantes dos estudos de laboratório sejam diferentes de Gebrselassie e de outros maratonistas talvez porque esses corredores já estejam acostumados a lidar com a desidratação.

Como poderíamos nos adaptar: Existem alguns problemas diferentes que surgem quando ficamos desidratados. Um deles é a redução do volume sanguíneo. Durante o exercício, esse sangue é necessário tanto para transportar calor até a pele, ajudando a resfriar o corpo, quanto para levar oxigênio aos músculos. Quando o volume sanguíneo diminui, não dá para fazer bem as duas coisas, e a temperatura corporal começa a subir.

O que sabemos até agora

  • Novas pesquisas indicam possíveis diferenças na resposta à desidratação entre homens e mulheres.
  • O desempenho real de corredores questiona estudos de laboratório sobre desidratação.
  • A exposição repetida à desidratação pode levar à adaptação do corpo e melhorar o desem

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Camila Almeida
Camila Almeida
Jornalista cultural apaixonada por gastronomia e eventos de São Paulo.

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